BEM VINDO AO HOSPITAL ESTADUAL DE URGÊNCIAS DE ANÁPOLIS DR HENRIQUE SANTILLO
DOAÇÃO DE ÓRGÃOS: A PERDA, A DOR E O AMOR

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS: A PERDA, A DOR E O AMOR

O ato de amor de quem mesmo na dor consegue transformar e salvar vidas, conscientizando as pessoas da importância de se ter empatia uns pelos outros

Você já parou para pensar quantas vidas você pode ajudar mesmo após a morte? A doação de órgãos é capaz de salvar vidas! Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos – ABTO, 47% das famílias se recusam a doar órgão de parente com morte cerebral. A negativa familiar é o principal motivo para que um órgão não seja doado no Brasil.

Sensibilizar os familiares para esse tipo de situação é muito importante, pois enquanto alguns enfrentam o luto, outros convivem com o medo da perda na fila de transplante de órgãos. Trata-se de duas situações isoladas, muito tristes e difíceis de encarar. Mas, que juntas, podem ter um final mais esperançoso. Quando a família decide doar o órgão do ente que faleceu, ela traz vida nova e conforto para muitos.

De acordo com o Dr. Marcelo Lagreca – RQE/12.641, responsável técnico por uma das Unidades de Tratamento Intensivo – UTI do HUANA, são muitas as pessoas que sofrem com disfunção crônica de órgãos levando a uma limitação na qualidade de vida. “A doação de órgãos entra como um resgate da autonomia perdida desse paciente com falência orgânica. Para um paciente receptor, o transplante de órgãos é o que mais se aproxima da teoria do milagre. Pois é a esperança de dias melhores”.

Em novembro, na mesma semana em que o famoso Gugu Liberato causou comoção mundial pela decisão familiar de doar seus órgãos, o HUANA realizou em um mesmo dia duas captações de órgãos. Dois doadores não tão famosos. As famílias desses doadores da forma mais generosa resolveram levar esperança para pacientes que estavam na fila de espera de transplante de órgãos. Foi um misto de emoções que percorreram os corredores da unidade. Colaboradores, pacientes e acompanhantes ouviam a estória e se emocionavam com o gesto de amor. Os doadores eram um adolescente de 17 anos e um idoso de 65 anos. Que no mesmo dia se foram… Alguém que estava começando a entender a vida e alguém que já conhecia muito sobre ela.

Alguns minutos antes dos doadores entrarem para o centro cirúrgico para a captação dos órgãos, os colaboradores do HUANA se uniram em um grande corredor para juntos homenagearem aos dois doadores que encerravam a sua jornada e ao mesmo tempo levava vida e esperança para que outros continuassem na caminhada.

De acordo com o idealizador da homenagem, foi um pequeno gesto para alguém que tinha perdido um ente querido. “Em um momento de extrema dor, incalculável até, principalmente para pai e mãe. E ainda assim eles optaram por dizer sim, levando alento a uma família que nem conhecem. O que fizemos foi uma forma de agradecimento, para dizer a esses familiares que o gesto de amor deles não ficou no esquecimento. O hospital quis mostrar de maneira pequena que se importa com a perda deles. Não tem como aliviar a dor da família, mas tem como agradecer, esse corredor que fizemos significou acima de tudo que respeitamos a dor da família” disse o Dr. Marcelo Lagreca.

A ação, além de mostrar a gratidão pelo gesto de amor desses familiares, também era uma forma de homenagear os doadores que permitiram que mais de 7 pessoas pudessem ter um transplante e através dele a oportunidade de continuar vivendo. Os colaboradores ficaram mais sensibilizados, entenderam o motivo e a seriedade do momento. Somos todos humanos, temos sentimentos e nos relacionamos entre pessoas. E essa, é a parte mais importante: transmitir emoção e fazer com que percebam a importância da doação de órgãos.

O intensivista também disse que o momento serviu para mostrar que estávamos sentindo a dor junto com a família, porque dessa forma poderia amenizar um pouco. “Não podemos perder a sensibilidade de entender que o paciente é o pai de alguém, o filho de alguém, a mãe de alguém, o ente querido de alguém”.

É difícil pensar na hipótese de ser um doador em vida, pois pressupõe a perda e consequentemente a morte. Mas existe uma fila de pessoas que esperam pacientemente por famílias dispostas a ajudar como essas. Conversem com seus familiares, seja um doador de órgãos. Salve Vidas!

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